22 de setembro de 2010

Efêmero prazer

Anulo-me pelo fútil
O êxtase do prazer
faz-me surdo
aos meus próprios gritos

Contudo, os berros ecoam
em meu reduto claustrofóbico
e assim os ouço
logo que o deleite se esvai

E então percebo
que ali só não estava
apesar dali eu ser

*****

Considerações finais: Sim, este é mais um suspiro de vida desse moribundo que o Textando se tornou. Não há como prever quanto ainda persistirá, uma vez que meu tempo escasseia e impede com que eu cuide dele com mais afinco. Gostaria de poder dar maior atenção, tratar o Textando com mais afinco... Mas, infelizmente, tenho prioridades e tantas responsabilidades que me ocupam tanto que sequer tenho condições de alimentá-lo. Talvez as coisas se acalmem, os dias passem sem tanta pressa e aí, quem sabe?, poderei me dedicar a um hobby que aos poucos venho esquecendo.

8 de maio de 2010

Do acaso que nos rege


Lanço o dado para o alto
Ignoro o resultado que virá
será 6 ou 1? Como saber?
E quando vier, o que fazer?
Aterrorizar-me, caso venha valor baixo
ou comemorar ou aliviar-me, caso alto?

Neste jogo no qual o dado dita a regra,
é possível preparar-me às adversidades
sendo várias as possibilidades futuras
- algumas impossíveis de prever?

4 de dezembro de 2009

Das conquistas humanas

Com as mãos trêmulas e doloridas
desprovidas do vigor de outrora
pego aquele troféu de ouro agora
das já antigas partidas vencidas

O ânimo esvai-se subitamente
O símbolo da glória, então,
Cai e torna-se pó rapidamente
Por conta da falecida mão

resquício físico da vitória,
Dele só resta cacos ao chão
A serem varridos da Memória

Agora, esta carne fria e dura,
Que tanto conquistou com bravura,
Que sobra? Nada! Tudo foi em vão!

*****

Considerações finais: Estou me conformando em aceitar que o pessimismo do meu espírito é incorrível, inclusive quando tudo vai bem. Apesar de já fazer um certo tempo em que não me aperecem problemas sérios (pelo contrário: situação melhor, só se eu ganhasse na mega-sena), as expectativas são sempre tristes e mórbidas.

20 de maio de 2009

O Presente no Tempo


Cada dia em que levanto e durmo
Cada fardo árduo e dolorido suportado
Cada prazer e alegria de que gozo
Distancia-se e envolve-se em brumas!

O cruel e constante fluxo que é o tempo
Descarta o agora e o hoje
Os condenam a deixarem de ser
E os servem às traças do olvido!

3 de novembro de 2008

Memória

A pintura acima reproduzida é de autoria de René Magritte, pintor surrealista belga. Olhando-a, observo um lado bem iluminado, no qual me é óbvia a presença de uma escultura de cabeça feminina; e, num lado oposto, uma escuridão que devora o objeto retratado e que me impede de vê-lo por completo.
O nome da obra, Memória, me incita à reflexão, como quase tudo aquilo que Magritte produziu: afinal, o que é isto que chamamos de “memória”?
Segundo o meu Novo Dicionário Aurélio (que, de novo, não tem nada, diga-se de passagem), memória seria, dentre outras coisas: “a faculdade de reter as idéias, impressões e conhecimentos adquiridos anteriormente”. Ou seja, se trata da capacidade de lembrar.
Contudo, sendo a recordação a finalidade da memória, ela se trai: não consegindo impedir que as imagens que carrega consigo sejam corroídas pelo fluir do tempo, faz delas resistir apenas parcelas cada vez menores. Processo que, aliás, tende a culminar no esquecimento total – a desaparição para o indivíduo de todos os resquícios da existência passada daquilo que aprendeu ou presenciou.
Era isto provavelmente que Magritte queria expressar em seu quadro. As trevas que tomam parte da escultura representariam o inerente olvido que ataca os vestígios abstratos do passado contidos na memória que teimam em persistir. Desse modo, só uma parte é possível ter acesso: aquela que ainda consegue ser iluminada pela lembrança.

4 de outubro de 2008

O graduando de História e o resto do mundo (I)

- Mas então, o que você faz? – Pergunta-me alguém que acaba de me conhecer e que não é historiador ou estudante de História.
- Faço faculdade de História – respondo.
Essa situação já se repetiu diversas vezes comigo e com reações que são quase sempre as mesmas. No geral, enquanto me olham com mal disfarçada surpresa ou pena, lançam a mesma frase:
- Mas você vai querer ser professor?
Alguns, talvez mais sinceros e menos educados, fazem outra pergunta:
- Por que você não faz Direito ou Engenharia?
Ou ainda:
- Mas você pretende fazer outro curso depois, né?
Há certo preconceito com os que, assim como eu, escolhem por cursos que formam professores. Corriqueiramente, somos julgados de loucos ou imaturos por escolhermos o caminho que supostamente leva a dificuldades financeiras e falta de prestígio profissional.
Umas almas caridosas, esforçando-se para iluminar com a razão a escuridão das perspectivas de nossas insanas e infantis mentes, tentam nos dissuadir de nossas escolhas. Como se fossem oráculos, nos prevêem um futuro sombrio e nos dão conselhos para evitá-lo – normalmente, nos apontam um caminho mágico e infalível para o sucesso, tal como abrir o próprio negócio ou ser funcionário público.
Este é, portanto, o primeiro desrespeito para conosco, graduandos de História, que aponto: o descrédito de sua capacidade de escolher o melhor caminho para o seu próprio futuro.
*****
Considerações finais: Esse é o primeiro texto de uma série em que pretendo refletir sobre o modo como as pessoas, de um modo geral, lidam com os graduandos de História. Além disso, ainda marca o retorno à ativa do Textando, após vários meses de abandono (eu não atualizava desde maio), sobretudo devido a uma falta de tempo e inspiração que aos poucos não mais me assolam! Então, podem comemorar, inexistentes leitores!

7 de maio de 2008

O ator e sua mentira

Sou artista, sou ator
Vivo para ser aquele que não sou
Num fingimento com o alívio
De, por fugazes e breves instantes
Poder afastar-me de mim mesmo
E também de minha dor

*****

Considerações finais: Originalmente, essa poesia era bem maior - algo em torno de 4 estrofes. Resolvi ser, ao menos, mais sintético, senão conseguia ser estético. Acho que estou aprendendo que, ao escrever em versos, é preferível se abster da prolixidade...

No mais, me empolguei com a temática e com sua abordagem no poema - que, inclusive, me inspiraram a escrever um conto que muito em breve, espero, sairá! Na próxima postagem, aliás, creio que virá algo em prosa, tudo dependendo apenas do meu tempo, disposição e, é lógico, inspiração.